Clara Vieira

quinta, 17 de outubro de 2019 às 16h45

Dicom/CMM

Na manhã desta quinta-feira (17), a Câmara Municipal de Maceió promoveu uma audiência pública com o objetivo de discutir a prevenção do suicídio. O debate foi proposto pelo vereador Cleber Costa (Progressistas) e aconteceu no Plenário Silvânio Barbosa.

Segundo dados fornecidos pela Secretaria da Saúde (SESAU), entre os anos de 2014 e 2019, o município de Arapiraca registrou 1621 casos de violência autoprovocada, sendo a região de Alagoas com a maior incidência de suicídio. Entre os anos de 2016 e 2018, foram registrados 76 casos em Maceió, tendo o enforcamento como a maior causa de morte e os homens como os que mais cometem esse tipo de violência. 

A presidente do Centro de Valorização da Vida, Delza Gitaí, explicou que o suicídio é consequência de diversos fatores e que falar sobre o assunto com o intuito de educar, esclarecer e compreender é a melhor saída para reverter esse verdadeiro drama.

 “O suicídio é um fenômeno complexo e multideterminado, existem diversos fatores que contribuem para uma pessoa tomar esse tipo de atitude, como colapso existencial, doenças crônicas, transtorno mental, acesso a meios letais. Situações de agressão, competição e insensibilidade formam um campo fértil para desenvolver transtornos emocionais e resultar numa atitude mais drástica, por isso conversar sobre o assunto é sempre a melhor medida preventiva e protetiva”, explicou.

O psiquiatra e representante da Associação Alagoana de Psiquiatria, Adalcyr Cunha de Souza, esclareceu que a doença mental em si não mata, mas que o suicídio é o desfecho de todo um processo crítico. Ele disse ainda que o medo de procurar um psiquiatra existe em muitas pessoas, mas que a violência autoprovocada é uma urgência médica e que a tentativa dela tende a ocorrer no primeiro episódio depressivo.

O tema suicídio deve ser trabalhado em todas as épocas do ano e esferas da sociedade, sem restrições, segunda a promotora de Justiça Micheline Tenório. Para ela, a violência autodestrutiva é uma epidemia em todo o mundo e deve ser vista como um problema de saúde pública. A promotora frisou também que toda a população tem uma grande responsabilidade social diante do assunto e quanto mais ele for difundido, mais as pessoas estarão capacitadas para ajudar a quem precisa.

Para o vereador Cleber Costa, o tema deve ser encarado com menos tabu e com mais seriedade e respeito.

“Boa parte da população pensa que transtorno mental é ‘frescura’ e que procurar um profissional é coisa de louco. Enquanto não mudarmos essa mentalidade os números só tendem a crescer. Não podemos menosprezar doenças psiquiátricas, nem negligenciar o tratamento delas”, finalizou.

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